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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NATAL DE QUEM? pergunta a Manuela

A minha colega e amiga Manuela mandou-me o seguinte poema, dizendo, no fim do seu e-mail:

"O meu mais belo poema de Natal.

Vamos transmitir aos mais novos o que celebra o Natal, ainda estamos a tempo!!!"

Obrigado, Manuela! Vamos a isso!

Para quem não crê no Deus-Menino, proponho que o tome metaforicamente, por exemplo, como o Ambiente que sempre se dispõe a receber-nos de braços abertos.

NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas

Tratam do bacalhau,

Do peru, das rabanadas.

- Não esqueças o colorau,

O azeite e o bolo-rei!

- Está bem, eu sei!

- E as garrafas de vinho?

- Já vão a caminho!

- Oh mãe, estou pr'a ver

Que prendas vou ter.

Que prendas terei?

- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,

Esquecido, abandonado,

O Deus-Menino

Murmura baixinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família

À volta da mesa.

Não há sinal da cruz,

Nem oração ou reza.

Tilintam copos e talheres.

Crianças, homens e mulheres

Em eufórico ambiente.

Lá fora tão frio,

Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,

Ouve-se Jesus dorido:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,

Admiram-se as prendas,

Aumentam os barulhos

Com mais oferendas.

Amontoam-se sacos e papeis

Sem regras nem leis.

E Cristo Menino

A fazer beicinho:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.

Tantos restos por mesa e chão!

Cada um vai transportar

Bem-estar no coração.

A noite vai terminar

E o Menino, quase a chorar:

- Então e Eu,

Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal

E, do princípio ao fim,

Quem se lembrou de Mim?

Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito

E pergunto no fechar da luz:

- Foi este o Natal de Jesus?!!!

(João Coelho dos Santos

in Lágrima do Mar - 1996)


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estou vivo

Olá a todos e a todas

Muito trabalho, pouco tempo disponível mas já estou inscrito no Conectando Mundos e também vou ao encontro de professores.

Espero encontrar muitos amigos e amigas e conhecer novos e novas participantes.

Sempre (quase) ao dispor

Joaquim

Algumas perguntas, Algumas respostas Proposta didáctica Conectando Mundos

1. O conceito de Cidadania Global é um modernismo relativamente ao de Cidadania?
Não. Para uma sociedade que é hoje diferente do que era no início do século XX, é necessário reinventar o conceito de cidadania. O conceito de Cidadania Global não é significativamente diferente do conceito de Cidadania, continua a representar um vínculo entre o indivíduo e a sociedade, mas vivido numa multiplicidade de escalas de relação.

Esta relação é, por um lado interna ao próprio indivíduo, uma vez que um cidadão é hoje sujeito de várias identidades e a aprendizagem da ligação entre várias identidades é essencial para que este se possa sentir uno e possa fazer as suas escolhas em cada situação. Por outro lado, é uma relação entre territórios de conhecimento e de pertença, onde cada um não pode já só conhecer a comunidade onde vive, mas sim participar no mundo, ter consciência da complexidade da realidade onde vivemos e das interdependências entre o local e o global, entre individual e colectivo.

2. Qual a diferença entre Formação Cívica e Educação para a Cidadania Global (ECG)?
Existem algumas diferenças. Realçamos duas. Por um lado, a ECG é mais abrangente, não se limita ao conhecimento dos direitos e dos deveres do cidadão, não é contida em fronteiras rígidas relacionadas com os países e que já não correspondem ao espaço real dos movimentos das pessoas, das trocas económicas, das alianças políticas e das possibilidades de comunicação à distância. O grande desafio da ECG está alicerçado prioritariamente no exercício da cooperação, da solidariedade, da justiça, da capacidade de descobrir e compreender como funciona o mundo em que vivemos e que lugar – à luz de que valores, de que princípios – queremos ter nele.

Por outro lado, a ECG deve ser entendida como um processo de formação transversal e transdiscipinar. Ou seja, pode e deve estar presente nos espaços destinados à aprendizagem da cidadania - como a Formação Cívica e a Área de Projecto - mas também em todas as relações, em todo o funcionamento, em todas as matérias, em todas as disciplinas, em todas as salas de aula.

3. Porque é que educar para a cidadania global é importante?
Porque vivemos em sociedades de privilégio, nas quais as desigualdades têm vindo a aumentar e se escolhemos rumar no sentido do “bem comum”, é preciso manter a capacidade de indignação perante a injustiça e a desigualdade, enfrentar as situações difíceis, estar disponível para pensar, agir e aprender.

Porque tornar o mundo mais humano só é possível se for uma tarefa de cada vez mais pessoas e instituições, com um forte espírito cooperativo e de solidariedade.
Porque reafirma a importância de uma educação comprometida e crítica que produz novos conhecimentos, novas formas de pensar, assim como propostas de acção que permitam gerar transformações sociais, económicas, ambientais e políticas, a nível global.

Porque leva “um pouco de mundo à sala de aula” e empenha-se em introduzir no ensino formal as questões da equidade, da democracia, dos direitos humanos e do desenvolvimento justo e sustentável.

“As sociedades actuais são sociedades marcadamente globais (...). Os nossos alunos devem estar preparados para entrar neste mundo através de uma participação activa e reflectida. O ensino formal realizado em contexto escolar é pouco permeável a experiências potenciadoras de uma verdadeira cidadania global, o projecto Conectando Mundos consegue facilitar aos alunos essas experiências de uma forma extremamente enriquecedora”. Professora Escola Secundária Fernando Namora

“Na época em que a nossa casa – a Terra – está em perigo, faz todo o sentido não só a partilha de conhecimentos e experiências como também a mudança urgente de atitudes e comportamentos a nível local e/ou regional – pequenas mudanças originam grandes mudanças. É com esta visão estratégica que devemos educar os nossos alunos”. Professora Escola Secundária de Monserrate

“Isto porque é fundamental formar crianças que se adaptem à sociedade e formar seres autónomos, com opiniões e poderes de decisão. (...). Penso que desta forma ajudamos para a formação de indivíduos mais humanos, no sentido ético e os dotamos de um sentido crítico mais apurado. Assim pudemos criar na nossa sala de aula uma escola mais planetária, mais global”. Professora da Escola Básica n.º 1 de Mangueija

4. Qual o papel dos professores e professoras no Conectando Mundos?
São“educadores-desafiadores” que promovem a construção de aprendizagens individuais e colectivas, incentivando a investigação, a reflexão crítica, o questionamento, o debate progressivamente mais complexo e profundo.
Através de uma relação dialógica e de forma colaborativa promovem a compreensão do mundo fundamentando-se nas experiências, necessidades, circunstâncias e desejos dos seus alunos e alunas.

É um caminho colectivo a construir, com altos e baixos, curvas e rectas, surpresas e evidências. Do nosso lado acompanhamos este processo e disponibilizamos momentos e ferramentas que ajudam a caminhar – o Encontro “A escola no mundo e o mundo na escola”, o curso on line para professores/as e guia didáctico disponível na plataforma on line.

“Actualmente qualquer que seja a disciplina que leccionemos o mais importante é o nosso papel enquanto educadores, e cabe a nós um importante papel na formação de cidadãos cada vez mais conscientes e interventivos nos problemas que afectam a nossa sociedade”. Professora da Escola Básica Integrada do Topo

“Foi necessário guiá-los e orientá-los, porque a liberdade de pensamento, de crítica e de decisão esteve sempre do lado do aluno”. Professora da Escola Básica n.º 1 de Mangueija

“No Conectando Mundos estão presentes múltiplas dimensões (pedagógica, cultural, política, etc.) que lhe conferem uma grande abertura de exploração, desta forma, qualquer disciplina pode acolher este projecto sem se desviar do seu currículo e com a vantagem de o tornar mais aliciante e motivador”. Escola Secundária Fernando Namora

5. Como se desenvolver o intercâmbio com outras turmas?
Através da plataforma on-line www.conectandomundos.org. É aqui que serão lançados os desafios semanais. É também aqui que as turmas vão colocar os seus trabalhos e chegar a decisões conjuntas com as outras turmas participantes.
Para aceder a esta área de trabalho cada professor/a terá um login e uma palavra-passe para a sua turma. Esses dados poderão ser facultados aos alunos/as se o professor/a assim entender uma vez que as áreas restritas aos professores necessitarão de uma outra palavra-passe.

Nas áreas restritas aos professores/as estão disponíveis os guias didácticos, as actividades a desenvolver e o Fórum de Professores/as que leccionam a mesma faixa etária.

6. Quais os resultados alcançados com a participação na proposta Conectando Mundos?
Pelas palavras de professorass participantes em edições anteriores...

“Ao participar neste projecto, percebi que aquilo que os jovens alunos aprenderam é muito mais do que eu poderia ter ensinado entre quatro paredes na sala de aula – eles apreenderam valores, tomaram consciências, adquiriram e desenvolveram competências, conheceram culturas, apuraram o sentido crítico, desenvolveram a consciência ética, mas acima de tudo perceberam que podiam fazer a diferença. Tudo o que lucraram com esta experiência, tudo o que aprenderam, fizeram-no no sentido prático e não teórico, (...), eles agiram, experienciaram e discutiram – foram eles que sugeriram as soluções para travar este flagelo – e esta experiência é de cada um deles e fá-los compreender um bocadinho mais o seu lugar no mundo e despertar a sua consciência cívica”. Professora da Escola Básica n.º 1 de Mangueija

“Viajaram por realidades bem diferentes das suas e perceberam que o conceito de riqueza varia de país para país. Se nos estados desenvolvidos, o vocábulo 'fortuna' cognomina bens materiais, noutros, menos privilegiados, é associado a bens essenciais como uma pequena gosta de água potável”. Professora da Escola Secundária Manuel Cargaleiro

7. É essencial ir aos Encontros de Educadores/as para participar no Conectando Mundos?
Não é obrigatório, mas é essencial! São momento que pretendem alimentar o debate teórico, partilhar experiências e, em conjunto, encontrar formas de motivar os alunos/as, promover a aquisição de novos conhecimentos e comportamentos, desenvolver actividades de forma construtiva, ultrapassar os obstáculos, envolver a restante comunidade educativa,...

IV Encontro "A escola no mundo e o mundo na escola"