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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Manifesto do Encontro de Lamego

Somos alunos e alunas com idades compreendidas entre os 3 e os 17 anos do Externato S.tº António de Fafel, do Jardim de Infância de Lazarim, da EB/JI de Várzea de Abrunhais, da EB2,3 de Lamego e da Escola Secundária Latino Coelho.

Todas e todos participámos na proposta educativa Conectando Mundos em que analisámos os modelos actuais de energia e de transporte e debatemos sobre o futuro do nosso planeta.

No dia 13 de Junho reunimo-nos na Escola Básica 2/3 de Lamego e estas são as nossas conclusões:

O nosso modelo actual de energia e de transporte tem trazido consequências catastróficas ao nosso Planeta e à humanidade, em especial às populações dos países em desenvolvimento.

Consideramos necessário questionar porque é que:
  • há secas em alguns locais do mundo e noutros inundações excessivas
  • há furacões e ciclones cada vez mais fortes
  • as calotes polares estão a derreter
  • muitas espécies de animais e vegetais estão em extinção
  • tem aumento do número de incêndios e são feitas queimadas em lugares não apropriados
  • a água potável começa a escassear
  • as doenças respiratórias são cada vez mais frequentes e há árvores que são atingidas por doenças que não se conhecem
  • há cada vez mais carros
  • usa-se e abusa-se do papel e das impressões a tinta
  • os pesticidas e herbicidas são muito usados na agricultura e nas limpezas

Mudar estes modelos implica impulsionar iniciativas que se concretizem, por um lado, em políticas de carácter sócio-ambiental e, por outro, em alterações nos nossos comportamentos e atitudes, tendo por base um consumo responsável.


Queremos um modelo de energia e de transportes que promova:
  • separar o material reciclável do restante lixo
  • lançar as pilhas no pilhão e o vidro no vidrão
  • poupar electricidade, desligando os electrodomésticos quando não são necessários, desligando a luz ao sair de casa, preferindo a ventoinha ao ar condicionado, evitando abrir a porta do forno
  • poupar água, não deixando a torneira aberta, tomando banho de chuveiro, aproveitando a água da chuva para a rega ou para as limpezas
  • caminhar quando as distâncias são pequenas e utilizar as bicicletas, o segway, o cavalo, a charrete e os transportes colectivos sempre que possível
  • exigir a construção de ciclovias e estacionamentos para as bicicletas
  • utilizar mais as escadas do que o elevador
  • manter as ruas sempre limpas, limpar bem as matas e florestas e nuca lançar o lixo no rio
  • plantar árvores adequadas ao tipo de solo e de clima e cuidar delas
  • ter cuidado com as fogueiras ao ar livre
  • fazer sugestões aos responsáveis das escolas, das indústrias e das autarquias para que invistam no florestamento e reflorestamento
  • comprar alimentos frescos em vez de congelados e de preferência produdos locais
  • não pescar peixinhos ainda filhotes

Convidamos todas os cidadãos e cidadãs, em especial os alunos e as alunas e os professores e as professoras de todas as escolas do país, a juntarem a sua voz à nossa para que seja possível construir um mundo mais justo e solidário.


Mudar é difícil, mas é possível, necessário e urgente.
Com as nossas opções de hoje construímos o que será amanhã.


Lamego, 13 de Junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Testemunho para o "Senado" espanhol

Um Trabalho com futuro

O nosso trabalho final do Projecto Conectando Mundos foi um desafio à nossa consciência ecológica, cívica e ambiental, numa construção e desenvolvimento da cidadania global. O problema abordado foi o Aquecimento Global e os malefícios que sofremos com este fenómeno.
O tema global era "O Efeito Borboleta", ou seja, qualquer coisa ou
desequilíbrio que aconteça num lado do Mundo, irá fazer sofrer pessoas e o próprio ambiente noutras partes do Planeta. É com como o bater das asas de uma borboleta: há o batimento e esse acontecimento provoca logo o seu voo. Também na Terra, basta haver a libertação de poucos gases das fábricas, carros, etc., para logo provocar a sua deslocação na atmosfera e haver alteração na temperatura e na composição do ar. O ar desloca-se e vai levar tudo isso para outros lados. Tudo se vai acumulando na atmosfera e se vai alterando o clima e a forma de viver.
Há que começar a pensar naquilo que fazemos todos os dias para evitar a destruição da atmosfera e de todos os seres da Terra.
Como para este nosso Projecto tínhamos de apresentar um invento, onde se aplicasse a nossa imaginação, as energias alternativas e produtos recuperados, decidimos começar pela nossa escola.
Então, achámos que, num futuro muito próximo, uma turbina eólica forneceria energia para todo o edifício da escola e com painéis solares se pode obter energia suficiente para o aquecimento da água do ginásio. Desta forma, aplicámos o conceito de microgeração (aliar dois tipos de energia para a autonomia energética de toda a escola e pode mesmo acontecer que se possa conseguir vender energia).
Com a ajuda, a orientação e as explicações dos nossos professores, elaborámos uma maquete que dá uma ideia daquilo que pode vir a ser uma escola com engenho, não poluidora e ser auto-suficiente ao nível da energia.
Antes desta construção, tivemos outras etapas em que contactámos com equipas de outros países e tivemos de imaginar "Um Dia Sem Energia". Foi engraçado!
O Projecto Conectando Mundos significa ligar países, pôr em comum as pessoas, conhecer ideias e vivências para nos enriquecermos e sermos cidadãos conscientes daquilo que fazemos: a chamada Cidadania Global.
Ficámos a conhecer outros inventos de outras equipas. Tudo isto nos despertou para os problemas ambientais e as atitudes que devemos tomar para que o nosso planeta Terra não morra.
É difícil, mas tudo se pode conseguir se for com boa vontade e ensinando as outras pessoas que não sabem, ou não querem saber. Temos de saber sonhar para podermos concretizar as nossas ambições e os nossos desejos.
Ah, já nos esquecíamos de dizer que nós somos os "Pequenos Engenhocas"!

Só mais uma pequena nota. A nossa escola esteve representada na II Montra de Oportunidades, realizada pela autarquia. Houve um concurso de Projectos de todas as escolas do Concelho de Lamego, inclusivamente as profissionais, e o nosso invento deste projecto representou a nossa escola, depois de bem explicado perante um júri e uma grande assembleia de pessoas curiosas e atentas. Quando foi da atribuição do 1º prémio, foi a nós que o atribuíram. Nem queríamos acreditar! Desta forma, ganhámos todos e fomos reconhecidos publicamente por todo o nosso empenho, desejo de aprender e mostrar que é bom trabalhar e esforçarmo-nos.

Alunos e professores do 5º 1 - E.B. 2,3 de Lamego

Breve reflexão conjunta da turma 5º 1 – E.B. 2,3 de Lamego

Nome: “Os Pequenos Engenhocas”
Idades: 10-12 anos
Escola: E.B. 2,3 de Lamego
Ano de escolaridade: 5º - turma 1

Após um questionário, sobre o balanço do nosso Projecto “Conectando Mundos”, apresentamos aqui as nossas conclusões.


1- O que achaste da participação no Conectando Mundos”

Foi uma experiência muito diferente em relação ao tipo de aulas e de assuntos que nós tivemos de abordar e de reflectir. Ficámos mais ricos em conhecimentos sobre o nosso planeta Terra.

2- Como foi a experiência de trabalho on-line com alunos e alunas de outros países?
Esta fase do Projecto foi a mais desafiadora,, porque nunca tínhamos tido contactos com a Internet e muito menos sabermos estar em comunicação, escrever, preencher, responder e dar conta das ideias e linguagens diferentes. Estávamos sempre ansiosos pelas horas em que iríamos estar em contacto com alunos de outros países ou regiões. Até chegámos a gravar as mensagens.

3- Quais foram as principais conclusões a que chegaram na tua turma?
De uma forma geral, quase todos nós chegámos às mesmas conclusões:
- os meios informáticos permitem-nos estar actuais, trocar ideias, pesquisar e comunicar para podermos conseguir tomar decisões acertadas sobre Ambiente;
- demos conta que não é nada fácil viver sem energia;
- passámos a conhecer tipos de energia que não conhecíamos e como fazer para as obter;
- reflectimos e dialogámos quantos às vantagens e desvantagens de cada uma;
- de todas, achámos que a eólica e a solar são as que mais nos interessam na nossa região e cada país deve escolher aquelas que se adequam às características de clima e de outras condições que possuam, explorando essas possibilidades;
- é preciso darmos o exemplo aos mais crescidos daquilo que se deve e não se deve fazer quanto ao Ambiente;
- divulgar ideias e exemplos de outros países no que se refere à energia e como resolvem os seus problemas;
- fazer sessões com as pessoas que estão ligadas às escolas, às autarquias, ao governo e ministérios para haver diálogos quanto aos apoios a dar;
- penalizar todos aqueles que não cumprem com os seus deveres no que se refere aos cuidados com o Ambiente.

4- Tiveste oportunidade de comentar a participação nesta experiência à tua família?
Todos nós falámos, dissemos o que aprendemos e até mostrámos o que construímos não só aos nossos pais como até à comunidade. Foi mesmo excelente. Toda a gente apreciou o trabalho e comentou. Só falta concretizar na realidade.

5- Que hábitos estás disposto a mudar agora?
Muitos: tomar banho de duche, aproveitar a água suja para regas, utilizar produtos que não contenham embalagem plásticas, deixar os herbicidas e substituir pelo estrume, aproveitar a água da chuva, andar ao máximo de bicicleta, a pé ou de charrete, substituir as lâmpadas por outras mais ecológicas, separar bem o lixo, etc.

6- Existe alguma mensagem que queiras deixar ao mundo e arredores?
Crianças e jovens, lutemos por aquilo que necessitamos e queremos ter no futuro. Ensinemos aos adultos aquilo que aprendemos; recusemos fazer algo que vai contra o ambiente e o nosso bem-estar!
Alunos do 5º 1 - E.B. 2,3 de Lamego

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Manifesto do Encontro Regional de Santarém

Somos 99 alunos e alunas com idades compreendidas entre os 6 e os 9 anos das localidades de Abrantes e Sardoal.

Todas e todos participámos na proposta educativa Conectando Mundos em que analisámos os modelos actuais de energia e de transporte e debatemos sobre o futuro do nosso planeta.

No dia 27 de Maio de 2009 reunimo-nos na Escola D. Miguel de Almeida em Abrantes e estas são as nossas conclusões:

O nosso modelo actual de energia e de transporte tem trazido consequências castastróficas ao nosso Planeta e à humanindade, em especial às populações dos países em desenvolvimento.

Consideramos necessário questionar:

  • Existem carros em demasia

  • Os combustíveis usados são muito poluentes

  • Há lixo no chão, nos rios e no mar

  • Despejos dos esgotos para os rios

  • Os peixes estão a morrer no açude do rio de Abrantes

  • As florestas ardem e assim não há oxigénio

  • Não há painéis solares nas casas para aproveitar a energia

  • Há poucos ecopontos e poucas pessoas a fazerem reciclagem

Mudar estes modelos implica impulsionar iniciativas que se concretizem, por um lado, em políticas de carácter sócio-ambiental e, por outro, em alterações nos
nossos comportamentos e atitudes, tendo por base um consumo responsável.

Queremos um modelo de energia e de transportes que:

  • Utilizar energias renováveis

  • Utilizar carros hibridos ou gás natural

  • Usar os transportes públicos

  • Andar de bibicleta ou a pé

  • Colocar filtros nas chaminés das fábricas (como na Central do Pego)

  • Optar por lâmpadas economizadoras

  • Plantar árvores, fazer parques e poupar água


Convidamos todas os cidadãos e cidadãs, em especial os alunos e as alunas e os professores e as professoras de todas as escolas do país, a juntarem a sua voz à nossa para que seja possível construir um mundo mais justo e solidário.

Mudar é díficil, mas é possível, necessário e urgente.

Com as nossas opções de hoje construímos o que será amanhã.

Abrantes, 27 de Maio de 2009


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Historia de un letrero

Quando hoje reenviei o e-mail que trazia dentro este vídeo, escrevi:
Já consigo ensinar os meus alunos a fazer os filmes para o YouTube com a duração máxima ideal, os 5 minutos.
Mas o resto ainda não consigo. Tenho ainda muito que aprender!...


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Testemunho para o "Senado" espanhol

Em Espanha representantes de alunos e alunas de diferentes regiões vão levar ao Senado as suas denúncias e propostas relativamente ao modelo actual de energia e de transporte.

Porque esta experiência também foi portuguesa, convidamos alunos e alunas, dos vários níveis de escolaridade, a participar. Basta darem o testemunho através da resposta às perguntas seguintes:
  • Nome (e fotografia se for possível):
  • Idade:
  • Escola:
  • Ano de escolaridade:
  • O que achaste de participar no Conectando Mundos?
  • Como foi a experiência de trabalho on-line com alunos e alunas de outros países?
  • Quais foram as principais conclusões a que chegaram na tua turma?
  • Tiveste oportunidade de comentar a participação nesta experiência à tua famalia?
  • Que hábitos estás disposto a mudar agora?
  • Existe alguma mensagem que queiras deixar ao mundo e arredores?

As respostas devem enviadas através de uma nova mensagem aqui no blog ou através do e-mail ed-ps@cidac.pt.

PARTICIPEM!!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Palestra Desenvolvimento Sustentável

No dia 5 de Maio, os alunos do 10º I da Escola Secundária Manuel Cargaleiro convidaram os pais para a mostra de trabalhos realizados no âmbito do projecto conectando mundos.

Para promover uma mobilidade sustentável, desafiaram os pais a utilizar os transportes públicos pelo menos uma vez por semana, para começar. Pelos resultados dos questionários, chegaram à conclusão que ainda é preciso muito para mudar os nossos hábitos.
Com os trabalhos desenvolvidos contribuíram para que o lema da sua campanha Faz com que o Planeta seja para sempre...Um adolescente não seja apenas uma frase.

Fátima Veríssimo (Professora de Geografia)

Edgar Morin defende "reforma radical" no ensino para acabar com "hiperespecialização"

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin defende uma "reforma radical" do modelo de ensino nas universidades e escolas, salientando a necessidade de passar da actual 'hiperespecialização' para uma aprendizagem que "integre as várias áreas do conhecimento".

Edgar Morin, considerado um dos maiores pensadores vivos, defende que apenas com esta mudança de paradigma no ensino as pessoas serão "capazes de compreender e enfrentar os problemas fundamentais da humanidade, cada vez mais complexos e globais".

Em entrevista à Lusa antes da sua vinda a Lisboa para participar num colóquio promovido sexta-feira pelo Instituto Piaget sobre os problemas estruturais dos actuais modelos de ensino, o filósofo francês considera que o modelo actual leva a "negligenciar a formação integral e não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança". "Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias. Porquê? Porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo", sublinha.


"Cursos de conhecimento sobre o próprio conhecimento"

O filósofo, de 88 anos, critica, por exemplo, que nas escolas e universidades "não exista um ensino sobre o próprio saber", ou seja, sobre "os enganos, ilusões e erros que partem do próprio conhecimento", defendendo a necessidade de criar "cursos de conhecimento sobre o próprio conhecimento".

O autor de "Os Sete saberes para a Educação do Futuro, Educar para a Era Planetária" lamenta, igualmente, que a "condição humana está totalmente ausente" do ensino: "Perguntas como 'o que significa ser humano?' não são ensinadas", critica.

Por outro lado, Morin acredita que a "excessiva especialização" no ensino e nas profissões produz "um conhecimento incapaz de gerar uma visão global da realidade", uma 'inteligência cega'".

"Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência", defende.

"O que proponho é fornecer [aos alunos] as ferramentas de conhecimento para serem capazes de ligar os saberes dispersos", explica.

Sobre a escolha de área que os alunos portugueses têm de fazer no 10º ano, Edgar Morin é peremptório: "Não concordo. Antes de escolherem uma especialização, todos deveriam ter, durante um ou dois anos, cadeiras comuns de cultura geral", em que "devem ser abordados problemas fundamentais do conhecimento, da racionalidade, simplicidade, complexidade e os problemas fundamentais da civilização actual", precisa. "Só depois de aprenderem a desenvolver as capacidades mentais para atacar os problemas gerais é que deveriam poder escolher o que querem seguir".

Isto porque, garante Morin, "está demonstrado que a capacidade de tratar bem os problemas gerais favorece a resolução de problemas específicos", lembrando que a maioria dos grandes cientistas do século XX, como Einstein ou Eisenberg, "além de especialistas, tinham uma grande cultura filosófica e literária".

"Um bom cientista é alguém que procura ideias de outros campos do conhecimento para fecundar a sua disciplina", afirma, sublinhando que "todos os grandes descobrimentos se fazem nas fronteiras das disciplinas".

Garante também que "apesar de em muitas universidades norte-americanas existir maior flexibilidade no que toca ao modelo ensino", nos Estados Unidos existe o "mesmo problema que na Europa".

17.05.2009 - Simon Kamm, Agência Lusa