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segunda-feira, 8 de março de 2010

Conhecemos uma História de Vida



Hoje foi dia de entrevista na aula com uma imigrante ucraniana. A nossa professora convidou-a e ela aceitou logo. Todos nós tentámos encontrar alguém, mas todos recusaram, porque estavam a trabalhar ou tinham um certo receio em falar de uma situação um pouco delicada.
Foi mesmo bom. A nossa entrevistada era muito culta. Possui um curso profissional de costureira e ainda tem um curso universitário de finanças. Falou-nos de muitos aspectos da Ucrânia e das dificuldades que a obrigaram a migrar.
Insistiu connosco para que estudemos e nunca nos deixemos cair no pessimismo. Mesmo que tenhamos muitos problemas, há que ser sempre optimista.
A grande dificuldade que teve de enfrentar e ainda continua a enfrentar é a língua. Ela gostava que na nossa cidade houvesse um curso de Língua e Cultura Portuguesa. Ainda comprou um livro para aprender as letras e algum vocabulário, mas sem praticar a oralidade, é impossível conseguir falar a nossa língua.
Ela aconselhou-nos a aprendermos o Francês, o Inglês e o Alemão para nunca termos dificuldades na vida, se precisarmos deslocar-nos ao estrangeiro ou migrar. Mas o melhor é nunca deixarmos o nosso país, apesar de ela gostar do nosso e não o trocar por outro para migrar. O dinheiro não é tudo. Também é preciso paz e saborear as pessoas e o que nos rodeia.
Ficámos a saber que Lamego é para ela uma cidade onde se sente muito bem, porque soubemos acolhê-la.


E. B. 2,3 de Lamego - 6º 1

domingo, 7 de março de 2010

A humanidade instintiva nos animais

Este vídeo podia ter a ver com racismo, com instintos, com compaixão, com espanto.
No fundo, é um vídeo que mostra que temos na nossa condição animal as bases para tratar bem os outros. Por exemplo, quando o outro é um imigrante.
Veja-se bem a que ponto vai a "humanidade instintiva" do leopardo. Para se manter junto do macaquinho, deixa a hiena levar a comida que caçara... e que, na verdade, bem necessita.

Literhart - Dica de Leitura: "O círculo dos mentirosos - contos filosóficos do mundo inteiro" | literhart.spaceblog.com.br

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Arte, Migrações e Desenvolvimento

HISTÓRIA EM CURSO DE Hannah Collins Fotografia e Vídeo

Ao chegar a Madrid no dia 19 de Fevereiro de 2010, para visitar a ARCO, Feira de Arte Contemporânea de Madrid 2010, levava comigo a ideia de visitar também o espaço de arte Caixa Fórum de Madrid, pois tinha ouvido falar muito dele, não só como espaço de arte, mas também como obra de arte arquitectónica. Neste, o que não esperava encontrar, era uma exposição de fotografia e vídeo, onde as películas "La Mina, Paralelo e História em Curso" que dá o nome à exposição, tratavam da temática Migrações, a mesma temática do Projecto Conectando Mundos e cujas preocupações se mantêm constantes tanto na exposição como no projecto.
A fugaz vida moderna entrelaça entre memória e história a vontade de expressar estas experiências verdadeiras através das imagens.
Os filmes são explorações ricas e completas do poder de localização que combina várias formas de questionar.
Que significa chegar a um outro mundo dominado por forças imprevistas?
Embora em contextos diferentes, as imagens mostram-nos que a procura de uma vida melhor, uma vida mais estável, dá origem a outras dificuldades. A procura de emprego, os problemas sociais, políticos, económicos e por vezes até raciais são entraves e forças imprevistas.
A arte de Hannah Collins é poética e ao mesmo tempo política. Trata-se de uma arte com um impulso realista que descreve a complexidade do mundo tal e qual é, mas desejando que ele seja melhor.

Núcleo de Educação Ambiental da Escola Básica 2/3 Bernardino Machado em Joane
Coordenador - Arlindo Araújo

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Migração e Hospitalidade

Os idealistas europeus definem a hospitalidade como um dever moral de qualquer ser humano, ou seja, o fundamento alicerça-se no dever de reconhecimento de que todos somos iguais em direitos e deveres sobre a Terra, desejando, assim, o nosso bem comum. As sociedades serão abertas, multiculturais, reconhecendo a igualdade de direitos de todos os seres humanos, independentemente da sua raça, nacionalidade, religião ou condição social.

Apesar de todas as vicissitudes de que têm sido alvo aqueles que procuram outras áreas e regiões do planeta, movidos por questões de vária ordem, eles resistem, adaptam-se e sobrevivem, longe das suas raízes e famílias. Ser hospitaleiro é ser condescendente, saber aceitar, compreender para construir uma sociedade de culturas identitárias e que vivem em constante diversidade cultural. É uma questão de nos colocarmos no lugar do outro.
O multiculturalismo não empobrece. Só nos enriquece e pede-nos que observemos e reconsideremos todas as nossas condutas e comportamentos daqueles que, de repente, nos interpelam e nos estendem a mão para uma ajuda. Não custa nada. Desde os romanos que a hospitalidade é um dom, não só par aquele que recebe como para aquele que é recebido.
Vejamos um poema que escolhi e nos faz pensar (eu sou assim, adoro literatura, desculpem-me!):

A Ilusão do Migrante (Carlos Drummon d'Andrade)

Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me susurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.
Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é conseqüência
de um certo nascer ali.

Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.

Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.

Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso.
São versos que nos fazem pensar...

Isilda Lourenço Afonso - E.B. 2,3 de Lamego