domingo, 28 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Migração e Hospitalidade
Os idealistas europeus definem a hospitalidade como um dever moral de qualquer ser humano, ou seja, o fundamento alicerça-se no dever de reconhecimento de que todos somos iguais em direitos e deveres sobre a Terra, desejando, assim, o nosso bem comum. As sociedades serão abertas, multiculturais, reconhecendo a igualdade de direitos de todos os seres humanos, independentemente da sua raça, nacionalidade, religião ou condição social.
Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me susurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.
Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é conseqüência
de um certo nascer ali.
Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio
à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.
Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.
Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,
essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.
Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso.
Apesar de todas as vicissitudes de que têm sido alvo aqueles que procuram outras áreas e regiões do planeta, movidos por questões de vária ordem, eles resistem, adaptam-se e sobrevivem, longe das suas raízes e famílias. Ser hospitaleiro é ser condescendente, saber aceitar, compreender para construir uma sociedade de culturas identitárias e que vivem em constante diversidade cultural. É uma questão de nos colocarmos no lugar do outro.
O multiculturalismo não empobrece. Só nos enriquece e pede-nos que observemos e reconsideremos todas as nossas condutas e comportamentos daqueles que, de repente, nos interpelam e nos estendem a mão para uma ajuda. Não custa nada. Desde os romanos que a hospitalidade é um dom, não só par aquele que recebe como para aquele que é recebido.
Vejamos um poema que escolhi e nos faz pensar (eu sou assim, adoro literatura, desculpem-me!):

A Ilusão do Migrante (Carlos Drummon d'Andrade)
Vejamos um poema que escolhi e nos faz pensar (eu sou assim, adoro literatura, desculpem-me!):
A Ilusão do Migrante (Carlos Drummon d'Andrade)
Quando vim da minha terra,
se é que vim da minha terra
(não estou morto por lá?),
a correnteza do rio
me susurrou vagamente
que eu havia de quedar
lá donde me despedia.
Os morros, empalidecidos
no entrecerrar-se da tarde,
pareciam me dizer
que não se pode voltar,
porque tudo é conseqüência
de um certo nascer ali.
Quando vim, se é que vim
de algum para outro lugar,
o mundo girava, alheio

à minha baça pessoa,
e no seu giro entrevi
que não se vai nem se volta
de sítio algum a nenhum.
Que carregamos as coisas,
moldura da nossa vida,
rígida cerca de arame,
na mais anônima célula,
e um chão, um riso, uma voz
ressoam incessantemente
em nossas fundas paredes.
Novas coisas, sucedendo-se,
iludem a nossa fome
de primitivo alimento.
As descobertas são máscaras
do mais obscuro real,

essa ferida alastrada
na pele de nossas almas.
Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.
Lá estou eu, enterrado
por baixo de falas mansas,
por baixo de negras sombras,
por baixo de lavras de ouro,
por baixo de gerações,
por baixo, eu sei, de mim mesmo,
este vivente enganado,
enganoso.
São versos que nos fazem pensar...
Isilda Lourenço Afonso - E.B. 2,3 de Lamego
Etiquetas:
aceitar,
direitos humanos,
hospitalidade,
ouvir. migração
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Power Point - Aps do Conectando Mundos

Olá!
Após o Encontro de Professores em Sintra, elaborei um PP para aps do proejcto à turma de trabalho e à direcção da escola EB 2,3 Rosa Ramalho - Barcelinhos - Barcelos: GALO... Conhecem? http://www.eb23-rosaramalho.edu.pt/
A nossa Plataforma: http://moodle.eb23-rosaramalho.edu.pt/
Após o Encontro de Professores em Sintra, elaborei um PP para aps do proejcto à turma de trabalho e à direcção da escola EB 2,3 Rosa Ramalho - Barcelinhos - Barcelos: GALO... Conhecem? http://www.eb23-rosaramalho.edu.pt/
A nossa Plataforma: http://moodle.eb23-rosaramalho.edu.pt/
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Visitas orientadas "Cidadania e Desenvolvimento"
O Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) irá realizar, nos dias 21 e 22 de Abril de 2010, a 3ª Edição de “Os Dias do Desenvolvimento” subordinada ao tema “Cidadania e Desenvolvimento”.
O evento engloba exposições, conferências e seminários e permitirá o conhecimento e a divulgação de actividades da cooperação com países em Desenvolvimento, em particular Países de Língua Oficial Portuguesa.
O programa completo em http://www.diasdodesenvolvimento.org/dotnetnuke/default.aspx.
Neste contexto, temos o prazer de convidar todos os alunos e alunas do ensino básico e ensino secundário, e respectivos professores/as, a participar neste evento. Através de uma visita orientada.
Durante 90m pretendemos envolver as turmas na temática do Desenvolvimento de uma forma participativa, desafiando-as com um percurso composto por descobertas e pequenas actividades relacionadas com as diferentes iniciativas que têm sido desenvolvidas em prol de um mundo mais justo, equitativo e solidário.
Caso esteja interessado poderá inscrever a sua turma através do preenchimento do formulário de inscrição
http://www.ipad.mne.gov.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=674&Itemid=1
até dia 15 de Março de 2010.
Caso pretenda inscrever mais do que uma turma deverá preencher um formulário por cada turma. Os formulários deverão ser enviados para noemia.marques@ipad.mne.gov.pt
Posteriormente receberá um e-mail de confirmação da inscrição e um guia pedagógico que servirá de apoio à preparação da visita, ao seu acompanhamento e à consolidação da experiência em momentos posteriores.
Equipa organizadora: CIDAC, Graal, ISU e Mó de Vida
O evento engloba exposições, conferências e seminários e permitirá o conhecimento e a divulgação de actividades da cooperação com países em Desenvolvimento, em particular Países de Língua Oficial Portuguesa.
O programa completo em http://www.diasdodesenvolvimento.org/dotnetnuke/default.aspx.
Neste contexto, temos o prazer de convidar todos os alunos e alunas do ensino básico e ensino secundário, e respectivos professores/as, a participar neste evento. Através de uma visita orientada.
Durante 90m pretendemos envolver as turmas na temática do Desenvolvimento de uma forma participativa, desafiando-as com um percurso composto por descobertas e pequenas actividades relacionadas com as diferentes iniciativas que têm sido desenvolvidas em prol de um mundo mais justo, equitativo e solidário.
Caso esteja interessado poderá inscrever a sua turma através do preenchimento do formulário de inscrição
http://www.ipad.mne.gov.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=674&Itemid=1
até dia 15 de Março de 2010.
Caso pretenda inscrever mais do que uma turma deverá preencher um formulário por cada turma. Os formulários deverão ser enviados para noemia.marques@ipad.mne.gov.pt
Posteriormente receberá um e-mail de confirmação da inscrição e um guia pedagógico que servirá de apoio à preparação da visita, ao seu acompanhamento e à consolidação da experiência em momentos posteriores.
Equipa organizadora: CIDAC, Graal, ISU e Mó de Vida
Etiquetas:
ODD
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
As razões dos movimentos migratórios
As principais razões dos movimentos migratórios são a fome, pobreza, a exclusão social e a perda das condições viáveis de vida.
Este tema é já um clássico, mas conserva ainda um poder enorme para captar a motivação e o engenho de todos, especialmente dos mais novos:
Etiquetas:
exclusão social,
fome,
Migrações,
pobreza
EB2 GASPAR FRUTUOSO no Conectando Mundos - Sonhos de Andorinha
A escola EBI de Ribeira Grande está novamente a participar neste projecto.

Aqui vão algumas informações e sites interessantes da nossa terra:
E falando de Andorinhas . . .

As professoras Fátima Figueiredo e Filomena Ferreira da EB2 Gaspar Frutuoso encontram-se a trabalhar com a turma do 5º B.
Aqui vão algumas informações e sites interessantes da nossa terra:
- Museu da Emigração Açoreana
Para comemorar a emigração açoreana para o Canadá, no ano que faz 55 anos de emigração oficial o Museu da Emigração Açoriana coordenou uma peça de teatro sobre a viagem de um pioneiro, Afonso Maria Tavares, intitulada "Sonhos de Abalar".
E falando de Andorinhas . . . aqui vai o nosso Cagarro
- SOS Cagarro
Para os alunos e professores que quiserem mais informações sobre uma das nossas aves migratórias.
. Portal do Governo Regional dos Açores
Fátima Figueiredo - EB2 Gaspar Frutuoso
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A propósito da ANDORINHA, vamos ler Jacques Prévert...
Caros colegas e amigos deste espaço cooperativo e colaborativo!
Aqui estou eu de novo. É a primeira vez, desde Julho de 2009, ou seja, desde que terminámos todas as activiades do Conectando Mundos sobre "O Efeito Borboleta". Já comecei a trablhar com a turma e, neste momento, quis partilhar convosco um poema de Jacques Prévert que se relacina com a idea de pássaro, mas que se aplica ao tema que desenvolvemos e nos dá inspiração e uma certa ideia de beleza que as aves nos transmitem. Além disso, quem o ler, dá conta do que é o sabor e o fascínio que sentimos pela andorinhas, aqueles seres qu simbolizam a pureza, a coragem, a inocência e o amor filial à Pátria (migração) e a relação mãe-filho.
Saboreiem as palavras sempre sábias e belas de Prévert.
Para desenhar um pássaro
Pintar primeiro uma gaiola
com uma porta aberta.
Pintar depois
qualquer coisa bonita
qualquer coisa simples
qualquer coisa bela
qualquer coisa útil
para o pássaro.
Pendurar depois a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
escondermo-nos atrás do tronco
sem falar
sem um gesto...
Às vezes, o pássaro chega depressa,
mas também pode acontecer que demore muitos anos
antes de se decidir.
Não se desencorajem.
Esperem.
Esperar anos, se for preciso,
a rapidez ou a lentidão da vinda do pássaro
com o êxito do quadro.
Quando o pássaro chegar,
se acaso chega,
guardar o mais rigoroso silêncio.
Esperar que ele entre na gaiola.
E depois dele entrar
fechar docemente a porta com o pincel.
Depois,
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de nunca tocar nas penas do pássaro.
Desenhar depois a árvore,
escolhendo o mais belo dos seus ramos,
para o pássaro
pintar, igualmente, a verde folhagem e a frescura do vento,
a poeira do sol,
o rumor dos bichinhos da erva no calor do Verão
e esperar que o pássaro cante.
Se o pássaro não canta
é mau sinal.
Indica que o quadro é mau.
Mas se ele canta, ai que bom!
É sinal que podemos assinar.
Nessa altura, arranca-se, suavemente,
uma das penas do pássaro,
e escreve-se o nosso nome, num canto do quadro.
Jacques PREVERT (1900-1977)
Isilda Lourenço Afonso -E.B. 2,3 de Lamego
Aqui estou eu de novo. É a primeira vez, desde Julho de 2009, ou seja, desde que terminámos todas as activiades do Conectando Mundos sobre "O Efeito Borboleta". Já comecei a trablhar com a turma e, neste momento, quis partilhar convosco um poema de Jacques Prévert que se relacina com a idea de pássaro, mas que se aplica ao tema que desenvolvemos e nos dá inspiração e uma certa ideia de beleza que as aves nos transmitem. Além disso, quem o ler, dá conta do que é o sabor e o fascínio que sentimos pela andorinhas, aqueles seres qu simbolizam a pureza, a coragem, a inocência e o amor filial à Pátria (migração) e a relação mãe-filho.
Saboreiem as palavras sempre sábias e belas de Prévert.
Para desenhar um pássaro
Pintar primeiro uma gaiola
com uma porta aberta.
Pintar depois
qualquer coisa bonita
qualquer coisa simples

qualquer coisa bela
qualquer coisa útil
para o pássaro.
Pendurar depois a tela numa árvore
num jardim
num bosque
ou numa floresta
escondermo-nos atrás do tronco
sem falar
sem um gesto...
Às vezes, o pássaro chega depressa,
mas também pode acontecer que demore muitos anos
antes de se decidir.
Não se desencorajem.
Esperem.
Esperar anos, se for preciso,
a rapidez ou a lentidão da vinda do pássaro
com o êxito do quadro.
Quando o pássaro chegar,
se acaso chega,
guardar o mais rigoroso silêncio.
Esperar que ele entre na gaiola.
E depois dele entrar
fechar docemente a porta com o pincel.
Depois,
apagar uma a uma todas as grades
tendo o cuidado de nunca tocar nas penas do pássaro.
Desenhar depois a árvore,
escolhendo o mais belo dos seus ramos,
para o pássaro
pintar, igualmente, a verde folhagem e a frescura do vento,
a poeira do sol,
o rumor dos bichinhos da erva no calor do Verão
e esperar que o pássaro cante.
Se o pássaro não canta
é mau sinal.
Indica que o quadro é mau.
Mas se ele canta, ai que bom!
É sinal que podemos assinar.
Nessa altura, arranca-se, suavemente,
uma das penas do pássaro,
e escreve-se o nosso nome, num canto do quadro.
Jacques PREVERT (1900-1977)
Isilda Lourenço Afonso -E.B. 2,3 de Lamego
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